sábado, 14 de outubro de 2017

OUTONO (ll)

(Imagem do pintor Surrealista Tomasz Alen Kopera - Polaco, contemporâneo, nascido em 1976)



Aos  restos do teu verde não puídos pelo verão
dá-se o prodígio da transformação
e um tom amarelado vai despertando
nas copas das árvores resignadas e arbustos distraídos
tudo balança na cadência adequada

surge um colorido avermelhado
 só conseguido pelo outono
macio e calmo
como tempos relembrados sem saudade

o castanho seco e único
pronuncio de que o passado morreu
já não faz parte da vida, mas pertence-lhe
e que o olhar tem de se aperceber dos pássaros
e dos novos verdes que voltarão a surgir


mas… sempre existiram folhas pernes.

Liliana Josué (Erato)

(Imagem do pintor Surrealista Tomasz Alen Kopera - Polaco, contemporâneo, nascido em 1976)

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(Imagem do pintor Surrealista russo Gennady Privedentsev - Contemporâneo)

OUTONO (I)
O equinócio espreita entre a grande folha
Há pouco nasceu de tez cor de cobre.
Nos cabelos ruivos os frutos acolha
Com todo o amor dum coração nobre.
A maturação tem  novo colorido  
Do maternal ventre antes  florido

Um  lago sereno de calmas margens
Reflete o fugidio azul do céu
Um barco velho baloiça voragens
Esquecido no tempo de ventre ao léu
Uma folha cai vermelha e macia
 Outra castanha mansa se anuncia

No espelho de água brilha natureza
De tons vibrantes mas consoladores.
Arco-Íris mergulhado em beleza…
Múltiplos castanhos tão  sedutores
Que dão sentido à vida adormecida.

Outono,  és ternura  acontecida.

Liliana Josué (Erato)

(Imagem do pintor Surrealista russo Gennady Privedentsev - Contemporâneo)

terça-feira, 26 de setembro de 2017

NOVOS POEMAS (I)



Arranhar as paredes de defesa
é aparente  ato ilógico mas não paradoxal
agride-se o que se ama quando não chega ao seu limite…
são paredes, não casulos infalíveis

arranhar as paredes de defesa
permite mostra desagrado
 feri-las é consentido
até mesmo estropia-las
pois esmagam quem nelas acredita

paredes de defesa são desvarios dos anémicos da vontade


Liliana Josué

(Imagem do pintor inglês William Turner - 1775\1851)

(Imagem do pintor inglês William Turner - 1775\1851)


quarta-feira, 13 de setembro de 2017


Vidraça


Olhando o mundo refletido na vidraça
corre a minha imaginação
e vejo coisas...

certa montanha a jorrar labaredas de emoções
um rio enlouquecido serpenteando da foz para a nascente
em busca do  inalcançável, mas tenta...
um braço de arvore  desejoso de abraçar-me
com seus  dedos retorcidos de tanto esperar.
Percebo  beijos soltos no ar
poisando na minha boca como pássaros vermelhos.

Duas paixões, lado a lado
são levadas pela brisa do crepúsculo
acreditando-se nas águas do persistente rio
aceitando-se ao poisar na montanha em labaredas.

A vidraça embacia com o calor da minha boca
limpo-a de punho cerrado.
É noite, as estrelas não brilham
mas a lua é uma enorme hortência azulada…
suspiro, desvio os olhos da vidraça
e permaneço expectante. 

Liliana Josué ( Erato)
Imagem do pintor contemporâneo Iraniano Saeed Tavakkol - 1958

OUTONO (ll)

(Imagem do pintor Surrealista Tomasz Alen Kopera - Polaco, contemporâneo, nascido em 1976) Aos  restos do teu verde não puídos p...